sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Canção de outono

Tradução livre do poema Chanson d'automne, de Paul Verlaine

Os soluços longos

dos violinos

do outono

ferem meu eu

sem apogeu.

Monótono.


Sufocantes... Sufocantes...

E distantes

são as lembranças

daquelas ânsias...

Que choram.


Sempre vou

nas tempestades

que me levam

daqui pra lá

de lá pra cá

como faz

com as

folhas

mortas

sábado, 9 de julho de 2011

A hora santa

É chegada a hora.
Tempo de noite, onde o medo mora.
O sino já chorou
choroooooouuuuuu
choroooooouuuuuu
marcando a hora
que m’encerrou.

Esta masmorra , só minha,
com grades de ponteiros,
cela infeliz e medonha,
conta a chegada d’um barqueiro que caminha
para me levar em sua viagem enfadonha...

É hora!
Já vejo a Morte, minha senhora,
(Sem... hora. Sem... hora. Sem... hora)
montada em corcéis de fulgor
munida de foices e relógios
que numa abaixada, seguida de ósculos,
carrega-me na calmaria de seus braços
para o calor-frio de seu amor.

E caminho
ouço fraco o sino que batia
marcando, no eco inconsciente,
o tempo que morria.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A vespa

Asa, asa, asinha, asa.
Zum, zum, zum zum zum
zum, zum, zum
zumzumzum

Bzz, bzz, bzz
bzz, bzzz bzzz
bz! Para... Senta...

Tsssssssssssssssssssss

Ficou esquecido.
Foi tão impreciso...
Que ficou na vez passada.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Eis o dilema do Poeta

As palavras não bastam,




mas é o que tem pra janta

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Panverbacidade

e onde estaria o verbo

nessa panverbacidade

que não acalenta, mas afugenta

o desencanto de minha vil verdade

e a saudade ligeira vivacidade

(quanto ade)

que tenho da vaidade

de um poeta simplista e sorridente

sem voz, sem paz, indigente

dentro de sua própria mente.

 

De tanto amar lançou ao fogo uma folha

Que pra apagar, custou o caderno e a pena.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Uma obra prima

Certa vez, num dia incerto, estava eu sentado em meu sofá, distraído, conversando entre amigos. Na TV, ligada e esquecida, brotava uma novela qualquer. Não me lembro ao certo os porquês, mas na cena em questão dançava uma mulher o clássico pole dance americano.

De vislumbre, no canto sutil de meus olhos, a imagem dançava em ritmo frenético. A mulher e o metal no qual se enroscava eram um, faziam um, diziam um.

Foi então que nasceu a poesia.

Escrevi no caderno de notas, ao lado do telefone. A magia do momento me tomou, e as palavras, embebidas então pelo fulgor, saltaram pelos meus dedos após sua travessia de imaginários em cada nervo de meu corpo.

Dei a luz uma poesia, sua forma era poema. Como de praxe, li para os presentes, que aplaudiram a inspiração.


Deixei a poesia no caderninho.


Esquecida em seu repouso, não reclamara seus direitos a publicação. Era demais pr’ela.

Tempinho depois, procurei a poesia, pois me lembrou um dos amigos presentes na ocasião, e ela já não estava lá. Fora arrancada, e só vestígios do papel sobraram.

Hoje penso: que terá acontecido com ela? Será a menina-dos-olhos de uma moça que ainda a lê antes de dormir? Terá se tornado lixo e morre eternamente, calada em seus suspiros fadados ao esquecimento? Encanta o jovem apaixonado? Jaz ao lado de um suicida?

Eis a maravilhosa beleza da arte, da poesia.

Eis minha obra prima.

sábado, 3 de abril de 2010

Dedicatória

A que se deve o eu
ser fiel?
como se aquilo que fosse seu
não seja meu
não tenha o teu
toque de verdade
da leitura
e da maldade.

A que se deve minha
Poesia
dedicar-se... mostrar-se...
alterar-se?

E espero escrevo leitor.

Não finjo, pois sou muitos
sois muitos
muitos sois
astros
para ler, ver
interpretar e
iluminar
o que disse
como se fosse
teu
não meu
nem seu
toque de vaidade.